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MANIFESTO PELO FIM DAS BETS

O Brasil vive uma epidemia silenciosa. As bets drenaram R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro em dois anos, e o dinheiro que deveria circular no bairro, na feira, no pequeno negócio, está indo para plataformas digitais que não geram emprego nem riqueza local, só adoecimento e morte. Enquanto isso, 269 mil famílias entraram na inadimplência por causa das apostas, e as bets chegam a comprometer até 20% da renda mensal dos mais empobrecidos.

O impacto na saúde pública é devastador. O SUS gasta R$ 30,6 bilhões por ano com os danos causados pelas apostas, enquanto o repasse das bets para a saúde é de apenas 145 milhões. As bets lucraram R$ 17,4 bilhões só no primeiro semestre de 2025. Quem paga essa conta é a classe trabalhadora, com endividamento, doença e sofrimento, enquanto as plataformas acumulam lucros bilionários.

Hoje ficar viciado em apostas é mais fácil do que nunca. O celular está na mão, a propaganda está em todo lugar, o algoritmo empurra a aposta a cada rolagem. As bets miram os mais vulneráveis, transformam vício em entretenimento e escondem a dívida atrás da promessa de sorte. E os sites clandestinos operam livremente, com dinheiro que passa pelo sistema financeiro, movimentando bancos e maquininhas, sem que ninguém seja responsabilizado.

O presidente Lula assumiu a luta contra as Bets e essa iniciativa do governo é importante e precisa ser apoiada. 

Quinze dos vinte clubes da Série A assinaram um manifesto em resposta a Lula contra a proibição das bets. Mas a torcida não aceitou, afinal, o Brasil foi pentacampeão mundial sem nenhuma bet no peito. O São Paulo, o Santos, o Flamengo, o Corinthians, o Grêmio, o Internacional, todos foram campeões do mundo sem nenhuma bet. O futebol existia antes, e vai existir depois. Quem acaba com as bets são as famílias destruídas pela ludopatia. Os posts dos clubes tiveram até 90% de comentários negativos. A palavra mais usada foi vergonha. Os torcedores lembraram que o futebol é do povo, não das plataformas de aposta.

E enquanto isso, uma bancada no Congresso atua para blindar as casas de apostas. O senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, é o principal articulador desse grupo. Além dele, atuam nomes da extrema direita e do centrão como Kim Kataguiri, Jorge Kajuru, Romário, o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta e outros parlamentares. Foram eles que barraram o aumento de impostos sobre as bets, que esvaziaram a CPI das Bets e que protegem os interesses das plataformas.

A luta é evidente: Pelo fim das bets, pela saúde pública, não pelo lucro das plataformas. Pela classe trabalhadora, que paga a conta com endividamento, doença e sofrimento. Por uma fiscalização dura e minuciosa nas casas clandestinas, com responsabilização do sistema financeiro que permite que esse dinheiro circule. Por uma São Paulo que coloque a vida acima do lucro.


Fontes

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